Vice-governadora do Piauí, Regina Sousa fala da relação com base do governo e eleições


A Vice-Governadoria do Piauí foi improvisada em um prédio que fica literalmente aos fundos do Palácio de Karnak, no Centro de Teresina. É lá onde a ex-senadora Regina Sousa recebe autoridades, discute ações, promove diálogos e debate soluções conjuntamente com o governo.

No fim da manhã daquela sexta-feira (19), a vice-governadora recebia em sua sala a promotora aposentada e sua correligionária Leida Diniz, mais tarde nomeada para exercer o cargo de assessora técnica naquele mesmo prédio.


Regina Sousa em entrevista para o Canal Caçando Conversa. (Foto: William Sousa/Cambada)

Regina recebe nossa equipe em uma sala de reunião com duas janelas. Uma delas sendo ilustradas com as paredes do Karnak, que é abraçado pelas grades que o protegem. Poucos metros separam a vice-governadora do governador. “O bom que quando a gente quiser se falar é muito rápido”, fala. Mas a curta distância não é só de espaço, é de tempo também.

“A proximidade da gente vem desde 35, 36 anos. Então é uma cumplicidade muito grande desde os tempos de sindicato, associações. A gente se conhece há muito tempo e sempre trabalhamos juntos”, relembra a petista sobre sua relação pessoal e profissional com o governador Wellington Dias.

Seu cargo não dá poder para ações executivas, mas ela trabalha em parceria com outros órgãos da administração pública direta e indireta do Governo. Ela fala que seu trabalho não é tão diferente de outras funções públicas que já ocupou, como por exemplo na secretaria de Administração durante dois mandatos do governador Wellington Dias. “Não é nenhuma surpresa, nenhuma novidade, no sentido do trabalho em si”, diz. 

Sousa afirma que nunca teve a ambição do cargo de vice-governadora, mas que ao ocupar tenta executar a missão dada pelo governador e que ela mesma se incumbiu. “A gente vai trabalhando naquilo que a gente se propõe, que é, no meu caso, trabalhar na questão da pobreza, o enfrentamento à pobreza”, revela em uma entrevista para o Canal Caçando Conversa.

Em sua percepção, desde 2016, quando ocorreu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a pobreza vem voltando a crescer no país. Regina Sousa então se propõe a cuidar destas pessoas que estão na linha da pobreza. “Os ricos já estão bem, sabem se cuidar. Então a gente precisa se voltar para os mais pobres. Esse país ainda tem muito de exclusão social, apesar de todos os avanços que teve nos governos do Lula e da Dilma”, afirma defendendo as gestões petistas no Governo Federal.

Regina Sousa ocupou uma cadeira no Senado Federal em 1º de janeiro de 2015 ficando até 13 de dezembro de 2018. Foi a primeira mulher representando o Piauí na segunda Câmara. Este foi um período envolto em muitas polêmicas. Duas delas ganharam projeção nacional: a primeira quando o apresentador Danilo Gentilli chamou ela de “tia do café” e uma segunda polêmica mais pesada, envolvendo ofensas e palavras baixo calão vindas da então jornalista Joice Hasselmann, hoje líder do Governo Bolsonaro no Congresso Nacional.

“Nunca tinha percebido preconceito contra mim tanto quanto eu percebi no Senado, depois que eu me tornei senadora”, revela a vice-governadora. Sua forma de se vestir, sua forma de falar e até o seu cabelo foram alvos de comentários preconceituosos nas redes sociais. “Não importa o meu cabelo, importa o que tá dentro da minha cabeça”, afirma com um sorriso simples saindo do rosto.

Sorriso difícil em meio as adversidades de uma política conturbada no Brasil. Ela assumiu a vaga em uma chapa pura que concorreu em 2018. Seu colega de chapa, Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressistas, votou favorável ao impeachment de Rousseff em 2016 colocando ele em um campo adversário ao de Sousa. Perguntada sobre sua relação com senador, também reeleito naquele mesmo ano, ela disse que estava normal.

Sousa deixa o cargo de senadora para assumir sua vaga na chapa eleita em 2018 para o governo. O PT vai para o quarto mandato com Wellington Dias. Mas o que haveria de novo em mais quatro anos? “O planejamento esse ano tá muito bem feito, bem linkado com os objetivos do milênio” responde a entrevistada sem mencionar nenhum ponto objetivo. Sobre as dificuldades administrativas, ela prefere recorrer a uma explicação mais ampla. “O Brasil não está fácil e o Piauí não é uma ilha”.

Sobre a possibilidade de concorrer nas eleições de 2022, atravessar a rua e ocupar a cadeira que está logo ali. Ela prefere não pensar nisso e brinca dizendo que não sabe se estará viva. Aos 69 anos, recém-completados, ela afirma que sua saúde está em dia e que tem vitalidade para percorrer o estado visitando os povoados mais longínquos.

Confira a entrevista na íntegra:

Postar um comentário

0 Comentários